Sem asana perfeito, sem prazo para o que te aflige acabar, a vida se torna o que ela realmente é, o MOMENTO. E saber vivê-lo com integridade e inteira presença virou o desafio diário dentro e fora do tapete.

Version In English soon…

A gente vive no hábito das datas ….Do prazo…Do até aquela data tem que acontecer….Já nascemos com prazo para rolar, sentar, engatinhar, andar…E quando por qualquer motivo que seja não cumprimos nossos prazos, começam a surgir as preocupações.

Nossas datas nascem de pesquisas, de estudos , nascem da sabedoria da ciência. De tanto, tantas pessoas repetirem aquele hábito, padrão ou desenvolvimento ele se torna aceito como algo natural à aquela ação ou aprendizagem. De certa forma viramos um timer com tempos programáveis.

Se por um lado existe um ganho em se orientar por essas datas, por outro quando  os prazos deixam de ser exatos e passam a virar uma espera o desespero toma a gente por conta. Como lidar com algo que não se sabe até quando? O hábito de vislumbrar um fim com data para acabar ou acontecer, talvez dê muito conforto às pessoas que passam a lidar com algo mais palpável . Mas nem tudo, ou talvez muito pouco seja assim tão facilmente administrável e é nessa hora que o Yoga me trouxe luz…

Quando comecei a praticar Yoga,  o timer do quando vou fazer aquele asana assim, ou quando vou conseguir meditar por mais de 5 min foi acionado. Quantas horas de prática me transformam em uma Yogini mais avançada? Hummmmm. Será que alguém pode me dar uma data limite para isso tudo acontecer? E se enganando ou não, acreditando ou não me joguei no tapete contabilizando as horas para chegar nos meus “lás”. Mas o mais divertido do Yoga é que ele ensina MESMO,  se houver disposição para se aprender.

Para alcançar minhas datas, metas aumentei o tempo no tapete e passei a fazer Yoga diariamente…Inspira desce , trabalha o asana… Não tá bom repete, alonga mais a perna dessa vez, encaixa o quadril e quando me dei conta minha prática de Yoga virou um exercício físico com metas claras, com  datas e limites definidos. Quando percebi isso, entrei em choque…E me desculpe a frase…. Que droga de prática estava eu fazendo? Não havia mais espaço para a respiração, para o foco, para a fluidez do que fazia. Ao invés , estava eu fazendo uma repetição mecânica de movimentos com uma obstinação para fazer uma arquitetura de uma forma corporal. Foi frustrante em todos os sentidos…Porque primeiro o asana não saiu mesmo….E segundo aquele tipo de prática só estava me deixando mais irritada e mais desanimada comigo mesma.

Humilde o suficiente para entender o processo, parei tudo que fazia e voltei para o tapete para praticar o meu melhor todo dia. Nem que o melhor daquele dia fosse fazer meus Suryas para depois iniciar o dia de trabalho. Mandar aquela data embora foi um bálsamo para o meu coração e mente. Me deixou livre para me concentrar no que realmente precisava e o que era primordial no momento – eu. Nessa nova dinâmica minha prática ganhou sutileza, força e energia. E sem esperar nada dela, tive muitos ganhos e os melhores colhi fora do tapete.

Não muito tempo depois de iniciar uma Yoga mais fiel ao meu momento, corpo e auto conhecimento, passei a enfrentar situações difíceis de espera na vida real. Situações que me tiraram de minha zona de conforto em todos os sentidos e me colocaram a prova do viver sem saber até quando.  Estes momentos começaram angustiantes, difíceis e assim como na minha prática fui me dando conta de que primeira coisa a se fazer era esquecer o tal do até “quando”. Viver sem saber uma data sobre quando a resposta viria foi um exercício e tanto . Se a gente não fica atento,   aquela tão aguardada notícia vira o motto de nossa vida e nada mais além dela nos interessa ou presta.

Sem asana perfeito,  sem prazo para o que aflige acabar, a vida se transformou no que ela realmente é,  o MOMENTO. E saber vivê-lo com integridade e inteira presença virou meu desafio diário dentro e fora do tapete.

Porém tomar  consciência desse tempo que ensina, não me tornou uma expert em calmaria e paz interior. Há sim dias de desespero, de dificuldades como há dias de muita tranquilidade. O que realmente mudou foi a forma como passei a entender e aceitar a vida sem prazo e ao Yoga sou eternamente grata por isso.

Om….❤️❤️🦋

 

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